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Sindifisco, 24/03/2026

Auditores ocupam a Alese e denunciam defasagem salarial e perda de direitos

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Presidente do SINDIFISCO/SE, José Antônio, durante o primeiro dia de greve: "Não nos restou outra opção diante do descaso com a pauta da revisão salarial"

 

 

O ato em frente à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), na manhã desta terça-feira (24/03), marcou o início da greve por tempo indeterminado dos auditores e auditoras fiscais tributários da Secretaria da Fazenda (Sefaz/SE). Seguindo a agenda de mobilizações, a categoria fará um novo protesto em frente ao Palácio de Despachos nesta quinta-feira, dia 26/03, às 7h.

 

O movimento paredista, que já repercute na imprensa regional, foi motivado pelo que a categoria classifica como falta de respeito do governo estadual com o Fisco. A greve impacta os Centros de Atendimento ao Cidadão (Ceacs/Sefaz), os Comandos Fiscais e os postos fiscais de todo o estado. Segundo o presidente do Sindicato do Fisco de Sergipe (SINDIFISCO/SE), José Antônio, a paralisação demonstra força em todas as unidades, com a categoria unida para reverter as dificuldades impostas pela gestão.

 

A decisão pela greve foi deliberada em assembleia geral no último dia 23. A principal queixa recai sobre a proposta de revisão salarial insuficiente, que não cobre sequer a inflação do período, e a exigência da devolução do pagamento do Bônus de Aumento da Produtividade (BAP), que havia sido negociado com o governo e, posteriormente, suprimido dos aposentados e pensionistas.

 

De acordo com o sindicato, embora a Sefaz divulgue recordes sucessivos de arrecadação, o índice linear de aproximadamente 4% anunciado pelo governo é desproporcional, visto que as perdas acumuladas apenas na atual gestão já somam 7,35%. O presidente reforça que a greve não é o cenário desejado para o Fisco, para o governo ou para a sociedade, já que o papel dos auditores é garantir a arrecadação para que o Estado invista em políticas públicas. No entanto, o sindicato afirma que o movimento se tornou a única via para sensibilizar o Executivo e abrir um canal efetivo de negociação.

 

A frustração da categoria é alimentada por um histórico de tentativas de diálogo sem sucesso. José Antônio relata que, após sete meses de ofícios enviados e sem revisão salarial no ano anterior, a reunião ocorrida na semana passada foi decepcionante. Em vez de uma mesa de negociação, o encontro serviu apenas para comunicar a decisão unilateral do governo sobre o índice de 4%.

 

Além da questão salarial, o Fisco luta pela recuperação de direitos revogados, como o BAP para aposentados e pensionistas, que havia sido acordado em 2023, mas retirado por novas leis enviadas à Alese. Outro ponto central da pauta é a incorporação de gratificações já pagas à maior parte da categoria. A medida, segundo o SINDIFISCO/SE, possui impacto financeiro insignificante para os cofres públicos, mas é fundamental para garantir segurança jurídica aos servidores. O sindicato pontua que, enquanto o Estado fechou o exercício de 2025 com um superávit bilionário de R$ 1,3 bilhão, o governo impõe "maldades" orçamentárias contra os inativos por valores irrisórios frente à arrecadação total.

 

Por Déa Jacobina Ascom do SINDIFISCO/SE