
Estudo da Metapolítica aponta hegemonia do patronato no Legislativo e alerta para a necessidade de união da classe trabalhadora e dos servidores públicos em defesa de direitos
A consultoria Metapolítica, contratada pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), realizou um levantamento sobre o perfil do Congresso eleito em 2026. O estudo mostra que o novo Congresso é formado majoritariamente por empresários.
A questão que se coloca é: o que explica uma população composta em sua maioria por trabalhadores, sejam celetistas, informais ou estatutários, eleger uma bancada empresarial?
Aqueles que acordam cedo para trabalhar, que dependem do salário no fim do mês e cujo patrimônio são os direitos trabalhistas, elegeram a bancada do dividendo, do pró-labore e do rentismo. Será que essa bancada defenderá a redução da jornada de trabalho, o 13º salário, as férias remuneradas, o salário-mínimo e a aposentadoria? Um dos empresários eleitos para o Senado por Mato Grosso foi direto: “O trabalhador deveria ter jornada de até 16 horas”.
Nós, autoridades fiscais, somos importantes e fundamentais para a existência do Estado. No entanto, não podemos esquecer que estamos na mesma situação daqueles que dependem dos direitos trabalhistas para sobreviver. Em outras palavras, estamos no mesmo barco dos que acordam cedo e vendem sua força de trabalho, aguardando o salário no fim do mês. Portanto, também dependemos dos direitos garantidos aos demais trabalhadores.
Diversos projetos que afetam servidores públicos e trabalhadores celetistas tramitam no Congresso. Podemos citar:
PEC 221/19 – Fim da escala 6x1
PEC 38/05 – Reforma administrativa
PECs 555/06 e 06/24 – Fim da contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas
PL 1893/26 – Data-base do servidor público
PL 2721/21 – Limite remuneratório
Além disso, fala-se em uma nova reforma da Previdência e até em mudanças na Constituição Federal. Cabe perguntar: essas reformas visam ajudar ou prejudicar os trabalhadores? Será que a bancada empresarial votará a favor dos interesses da classe trabalhadora ou do grande capital?
Diante de uma correlação de forças tão desfavorável no Congresso Nacional, mais do que nunca, é necessária a união e a determinação dos trabalhadores e trabalhadoras por meio de suas entidades sindicais.
Direção do SINDIFISCO/SE